Parque da Várzea de Embu-Guaçu: natureza preservada, ponte caída e espera por soluções.
Parque da Várzea de Embu-Guaçu: natureza preservada, ponte caída e espera por soluções.
Área verde que já foi símbolo de lazer e educação ambiental enfrenta abandono, problemas de acesso e disputa entre município e Estado sobre quem deve cuidar da manutenção.
No coração de Embu-Guaçu, cercado por remanescentes de Mata Atlântica e pelas águas que desaguam na represa de Guarapiranga, o Parque Ecológico da Várzea do Embu-Guaçu, também conhecido como Parque Professor Aziz Ab’Saber, já foi referência de lazer e preservação ambiental. Criado na década de 1990, o parque abrange cerca de 129 hectares, dos quais 80 hectares são de mata nativa.
Como era — o auge do parque
Nos primeiros anos de funcionamento, o Parque da Várzea contava com estruturas bem cuidadas, incluindo quiosques, trilhas sinalizadas, áreas de descanso e, principalmente, a ponte que ligava duas partes essenciais do parque, passando sobre o rio Embu-Guaçu.
Essa ponte não era apenas funcional: ela permitia o acesso a áreas mais profundas de preservação, conectando os visitantes à parte mais exuberante da mata.
Segundo relatos de antigos frequentadores, em finais de semana o local recebia famílias inteiras que realizavam piquiniques, grupos escolares e até pesquisadores interessados na biodiversidade local. “Era um lugar vivo, que inspirava respeito pela natureza”, lembra Maria de Lourdes, moradora do bairro vizinho há mais de 30 anos.
A ponte que caiu — e as consequências
A queda da ponte não foi resultado de uma enchente súbita ou acidente isolado, mas de anos sem manutenção adequada.
Segundo relatos de moradores e funcionários, rachaduras e problemas estruturais vinham sendo observados há muito tempo, mas nenhuma intervenção preventiva foi realizada.
Sem a ponte, parte significativa do parque ficou isolada. Famílias e grupos escolares que antes circulavam livremente hoje têm acesso restrito.
“Era por ali que a gente passava para ver o rio, era a coisa mais linda! Agora, parece que o parque encolheu”, lamenta José Roberto, morador do centro de Embu-Guaçu e frequentador assíduo.
Por que não houve manutenção?
A resposta passa por um impasse entre município e Estado.
- O parque, por ser uma unidade de conservação estadual, está sob a gestão do governo do Estado, responsável por sua manutenção e operação.
- No entanto, a Prefeitura também tem interesse direto na conservação, já que o espaço atende a moradores locais e turistas.
Essa sobreposição de responsabilidades gera demora na tomada de decisões, principalmente quando se trata de obras que exigem licitação, recursos financeiros e projetos técnicos.
Falta de cobrança e ausência de planejamento
Outro ponto criticado pela população é a falta de cobrança por parte das autoridades municipais.
Embora a Prefeitura alegue que o parque seja de responsabilidade do Estado, moradores defendem que o município deveria atuar como fiscalizador, cobrando a manutenção de forma mais ativa.
A ausência de um plano de conservação e gestão conjunta entre município e Estado deixou a área vulnerável.
Sem uma agenda fixa de manutenção, a tendência é que problemas pequenos se transformem em situações graves, como o desabamento da ponte.
Conclusão — natureza em risco e a necessidade de ação imediata
A legislação aponta que a responsabilidade primária pela manutenção de estruturas internas do parque é do Estado, por meio do órgão que administra as unidades de conservação.
Entretanto, o município pode estabelecer parcerias, convênios ou até assumir parte da manutenção mediante acordo formal — algo que ainda não foi feito.
O Jornal Regional defende que uma gestão compartilhada seria a melhor saída, unindo recursos estaduais e municipais para garantir a preservação da área e a segurança dos visitantes.
Para que o parque volte a ser um espaço de convivência, lazer e aprendizado, é fundamental que município e Estado deixem de lado disputas burocráticas e atuem juntos, estabelecendo metas claras de manutenção e revitalização.
Só assim a população poderá voltar a atravessar a ponte — não apenas a de madeira que caiu, mas também a simbólica, que conecta a comunidade à preservação ambiental.